Douglas Garcia agride manifestante em ato da esquerda contra a anistia a golpistas em SP - Foto: Bruno Santos/Folhapress

Um ato em defesa da democracia e contra a anistia aos golpistas envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023 foi marcado por tumulto após a invasão de bolsonaristas na noite desta quinta-feira (8), no Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco, centro de São Paulo. Vídeos gravados por participantes e pelos próprios envolvidos mostram provocações, agressões físicas e a expulsão dos invasores do local.

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A manifestação, organizada pelo PT-SP, pelo Centro Acadêmico XI de Agosto e pelo grupo Prerrogativas, reuniu dezenas de entidades e marcou os três anos da invasão às sedes dos Três Poderes, além de protestar contra o Projeto de Lei da Dosimetria, vetado horas antes pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva . O objetivo central do ato era afirmar o 8 de janeiro como uma data de memória, vigilância democrática e rejeição a qualquer tentativa de perdão aos envolvidos na trama golpista.

Provocação bolsonarista e confronto

A confusão teve início quando o ex-deputado estadual Douglas Garcia (União Brasil) entrou no salão e subiu até as galerias para gravar vídeos e provocar os manifestantes, tática conhecida do Movimento Brasil Livre (MBL), grupo ao qual pertencia Garcia. Aos gritos de “fascista” e “sem anistia”, os presentes reagiram e passaram a expulsá-lo do espaço. Garcia teve a camisa rasgada e foi forçado a descer as escadarias sob vaias.

No térreo, a situação se agravou com a presença do vereador paulistano Rubinho Nunes (União Brasil), de sua equipe, e do vereador de Vinhedo Malcon Mazzucatto (União Brasil). Houve troca de socos e empurrões, registrada em vídeos que circularam nas redes sociais. As imagens mostram os bolsonaristas discutindo e entrando em confronto físico com militantes, enquanto policiais acompanhavam a cena sem intervir.

Do outro lado, militantes relataram agressões por parte dos políticos bolsonaristas. Luiz Nicoletti, 21, do coletivo Graúna, afirmou ter sido atacado pelo vereador. “Eles vieram tumultuar, principalmente Douglas, que vira e mexe está em atos da esquerda. A polícia só ficou cercando o local, sem nenhuma intervenção”, disse.

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Em nota, o Centro Acadêmico XI de Agosto responsabilizou diretamente os bolsonaristas pela confusão e classificou o episódio como uma ação planejada para gerar confronto e exploração política nas redes.
“Trata-se do conhecido modus operandi do bolsonarismo e de seus grupos satélites: infiltrar-se em manifestações da esquerda e dos movimentos sociais com o único intuito de tumultuar, incitar conflitos e fabricar narrativas vitimistas para as redes sociais. O objetivo é claro: criar o caos para constranger a luta popular e gerar engajamento através da mentira”, afirmou a entidade.
Para o CA, foi “inadmissível” que, justamente na data que simboliza a resistência democrática, o espaço fosse usado para provocação de bolsonaristas.

Veja vídeos da confusão:

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Manifesto reafirma vitória da democracia

Apesar da tentativa de intimidação, o ato seguiu com a leitura de um manifesto subscrito por mais de 200 personalidades, entre elas o coordenador do Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho, a senadora Teresa Leitão (PT-PE) e o advogado Pierpaolo Bottini. O documento define o 8 de janeiro como uma vitória da democracia e um marco permanente de alerta.
“O dia demarca, primeiramente, uma festa cívica histórica em defesa da democracia. Deve, porém, ser também uma data na qual todos nós, brasileiras e brasileiros, redobremos as atenções diante de toda e qualquer ameaça interna ou externa ao Estado democrático de Direito brasileiro e à nossa soberania nacional”, afirma o texto.
O ator Paulo Betti, mestre de cerimônias do evento, destacou a importância da mobilização política para impedir retrocessos institucionais.
“Não podemos permitir que a direita derrube o veto do PL da Dosimetria e para isso temos que nos preocupar a eleger deputados e senadores que tenham compromisso com a democracia do Brasil”, disse.
O ex-presidente do PT José Genoíno também foi ovacionado e defendeu a mobilização popular. “Precisamos lembrar a necessidade de derrotar uma classe dominante corrupta, entreguista e autoritária”, afirmou.


por  Cidades Baiana - Revista Forum



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