Diretor do Banco Central, Ailton de Aquino Santos foi dispensado da acareação
A Polícia Federal (PF) realizou na noite de terça-feira (30) uma acareação entre o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. O procedimento foi motivado por divergências identificadas nos depoimentos prestados por ambos horas antes, no âmbito das investigações sobre a tentativa frustrada de venda do Master ao banco público do Distrito Federal.
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Vorcaro e Costa compareceram pessoalmente ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde prestaram depoimentos individuais que duraram mais de duas horas cada. As oitivas foram conduzidas pela delegada Janaína Palazzo, responsável pelo caso, e acompanhadas por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, relator das investigações, além de um representante do Ministério Público. Após a identificação de contradições, a PF decidiu colocá-los frente a frente. A acareação foi concluída por volta das 21h35.
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Diretor do Banco Central é ouvido, mas fica fora da acareação
Também convocado a prestar esclarecimentos, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, chegou a iniciar depoimento na mesma noite, depois de aguardar por mais de cinco horas no STF. Apesar disso, ele foi dispensado da acareação. Aquino não é investigado no caso, ao contrário de Vorcaro e Costa, e participou das apurações por obrigação técnica, no exercício de suas funções no Banco Central.
A possibilidade de uma acareação envolvendo um diretor do Banco Central gerou reação no sistema financeiro. Em nota conjunta, entidades como Febraban e ABBC defenderam a atuação da autoridade monetária e afirmaram que “a presença de um regulador técnico e, sobretudo, independente do ponto de vista institucional e operacional, é um dos pilares mais importantes na construção de um sistema financeiro sólido e resiliente”.
Investigação aponta irregularidades bilionárias
As investigações do chamado caso Master tiveram início em 2024, na Justiça Federal, após indícios de que o banco não dispunha de recursos suficientes para honrar títulos com vencimento em 2025. À época, o Master negociava sua venda ao BRB, operação que acabou rejeitada pelo Banco Central. A apuração aponta que, antes mesmo da formalização do negócio, o banco teria forjado e vendido cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado ao BRB — sendo R$ 6,7 bilhões em contratos considerados falsos e R$ 5,5 bilhões em prêmios e bônus associados à suposta valorização da carteira.
Segundo a Polícia Federal, o Master teria adquirido créditos de uma empresa chamada Tirreno sem efetuar o pagamento e, posteriormente, repassado esses ativos ao BRB, que teria desembolsado aproximadamente R$ 12 bilhões. As negociações envolveram diretamente Vorcaro e Paulo Henrique Costa, que, antes de ser demitido da presidência do BRB, defendia a compra do Master como alternativa para enfrentar a crise da instituição privada.
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Liquidação do banco e desdobramentos
Diante do agravamento da situação financeira e do insucesso das tentativas de solução de mercado — que incluíram propostas de aporte de recursos, troca de diretoria e venda do controle —, a Diretoria de Fiscalização do Banco Central recomendou a liquidação do Master. A venda ao BRB foi vetada pela Diretoria de Organização do Sistema Financeiro, então comandada por Renato Gomes, e a decisão final pela liquidação foi aprovada por unanimidade pela diretoria colegiada do BC, em novembro. O banco foi oficialmente liquidado no dia 18 daquele mês.
O escândalo resultou na prisão de Daniel Vorcaro por 12 dias, no contexto da operação Compliance Zero. Atualmente, ele responde às investigações em liberdade, sob monitoramento por tornozeleira eletrônica. O processo corre sob sigilo, e desde o início de dezembro todas as diligências relacionadas ao caso passaram a depender de autorização do ministro Dias Toffoli, por decisão do próprio magistrado.
Nos bastidores, a condução do caso e a convocação de integrantes do Banco Central para prestar depoimento geraram debates e críticas públicas. O gabinete de Toffoli negou que tenha determinado o envio de oficiais de Justiça ao Banco Master para intimar o liquidante da instituição, Eduardo Félix Bianchini, servidor aposentado do BC responsável pelo processo de liquidação.
A investigação segue em curso, com foco nas responsabilidades pela operação envolvendo as carteiras de crédito consignado e pelas negociações que antecederam a decretação da liquidação do Banco Master.
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